download aqui
Sunday, July 15, 2012
7º número da revista mailinda do mundo
Wednesday, April 18, 2012
6º número da revista mailinda do mundo
Thursday, January 26, 2012
5º número da zine mailinda do mundo
Sunday, January 22, 2012
Extra!extra! read all about it!
Friday, November 4, 2011
4º número da zine mailinda do mundo
Thursday, September 1, 2011
Maggie Taylor a sul
Wednesday, August 31, 2011
Ahoy!
Aqui está o terceiro número da revista A SUL DE NENHUM NORTE.
Esperamos que vos agrade.
fazer download aqui
Esperamos que vos agrade.
fazer download aqui
Wednesday, July 13, 2011
a sul
Se me nasceram flores
Se me nasceram flores
nas pontas dos dedos
e eu as roí como
a uma pele mais seca
ou se as cortei, não perdoo
dentes ou tesoura que
não impediram o indecoro
:
mais estranho é
desconhecer assim o corpo
próprio e seus processos
e confundir pele
com pétala é afinal
tão menos grave
que sua possibilidade
:
mas vê, se certo é tudo
o que sucede e natural até,
como o metal subterrâneo
sob a pele, como descrer
do que morre? isto é,
o fluxo constante
do que ocorre.
Rute Mota
Se me nasceram flores
nas pontas dos dedos
e eu as roí como
a uma pele mais seca
ou se as cortei, não perdoo
dentes ou tesoura que
não impediram o indecoro
:
mais estranho é
desconhecer assim o corpo
próprio e seus processos
e confundir pele
com pétala é afinal
tão menos grave
que sua possibilidade
:
mas vê, se certo é tudo
o que sucede e natural até,
como o metal subterrâneo
sob a pele, como descrer
do que morre? isto é,
o fluxo constante
do que ocorre.
Rute Mota
Monday, June 27, 2011
e ainda a sul
Dedicatória
ver mar e ver terra ter a roupa decorada
o cinza cobrindo o negro e depois
depois só o negro apetecer o negro
eu acho que vestias assim
e faço bonecos espreito outras ruas
mas ninguém leva a tua cara nem podia
Então penso onde foi mesmo
em que língua envergonhava a gente?
dois ou três nomes de terras
todas elas nossas conhecidas
terras conhecidas pelos dois mas
com mais cores a cor toda atrapalhada
devorar uma sandes ao jantar
acabar com o queijo
E logo umas canções que memorizem
digo guitarras tocadas como pedras
lagos estradas caminhos comidos
apanhar e guardar essas luzinhas todas
boca aberta e passo abananado
querendo rir e ser gentil
Hugo Milhanas Machado
fazer download da revista aqui
por Carmen
Ficam combinadas histórias para contarver mar e ver terra ter a roupa decorada
o cinza cobrindo o negro e depois
depois só o negro apetecer o negro
eu acho que vestias assim
e faço bonecos espreito outras ruas
mas ninguém leva a tua cara nem podia
Então penso onde foi mesmo
em que língua envergonhava a gente?
dois ou três nomes de terras
todas elas nossas conhecidas
terras conhecidas pelos dois mas
com mais cores a cor toda atrapalhada
devorar uma sandes ao jantar
acabar com o queijo
E logo umas canções que memorizem
digo guitarras tocadas como pedras
lagos estradas caminhos comidos
apanhar e guardar essas luzinhas todas
boca aberta e passo abananado
querendo rir e ser gentil
Hugo Milhanas Machado
fazer download da revista aqui
Etiquetas:
Hugo Milhanas Machado,
numero 2
Thursday, June 16, 2011
a sul
O mercúrio de Van Sweetens
Caro Zerrel,
- Depois de uma canja de galinha parda ao jantar, fui aquecer os pés na salamandra da Casa Lilás que o meu amigo me recomendou na véspera de Natal. Fui muito bem recebido pela matroníssima Madame Bataille que parecia já saber quem eu era. Aposto a minha cadeira de baloiço que o meu amigo falou-lhe a meu respeito. Madame Bataille teve um ataque de tosse ao subir as escadas e à entrada do quarto que me estava reservado pôs-se a falar de um novo bronco-dilatador que o Auch lhe recomendou. Vi-me obrigado a gerar ali algo parecido com empatia na esperança que ela me desse um desconto ou um copo de Genebra no fim. A menina que me calhou tinha um ar inocente, os olhos não tinham vestígios de emoção e falava pouco. Antes de começarmos, pedi-lhe gentilmente para pôr na boca o meu termómetro. O mercúrio chegou aos 41ºC! Não podia dormir com alguém tão libidinoso. Acima dos 38,5ºC é a minha morte. Deitei-me a seu lado e deixei escoar o tempo. Ela disse-me o seu nome, Sophie Minuit. Disse-me que antes de trabalhar ali, tinha sido auxiliar de biblioteca, mas ganhava muito mal. Começou então a libertar-se e a falar mais. O seu livro favorito é a "História de um Coração" e abraçava repetidamente o ar à sua volta. Meu amigo, quase que me apaixonei. Felizmente, os quarenta minutos acabaram e sai daquela alcova mesmo a tempo.
Sinto que o meu termómetro vai ser um tremendo sucesso.
Do sempre seu,
T. Edison
Pedro A. M. Amaral
fazer download da revista aqui.
Caro Zerrel,
- Depois de uma canja de galinha parda ao jantar, fui aquecer os pés na salamandra da Casa Lilás que o meu amigo me recomendou na véspera de Natal. Fui muito bem recebido pela matroníssima Madame Bataille que parecia já saber quem eu era. Aposto a minha cadeira de baloiço que o meu amigo falou-lhe a meu respeito. Madame Bataille teve um ataque de tosse ao subir as escadas e à entrada do quarto que me estava reservado pôs-se a falar de um novo bronco-dilatador que o Auch lhe recomendou. Vi-me obrigado a gerar ali algo parecido com empatia na esperança que ela me desse um desconto ou um copo de Genebra no fim. A menina que me calhou tinha um ar inocente, os olhos não tinham vestígios de emoção e falava pouco. Antes de começarmos, pedi-lhe gentilmente para pôr na boca o meu termómetro. O mercúrio chegou aos 41ºC! Não podia dormir com alguém tão libidinoso. Acima dos 38,5ºC é a minha morte. Deitei-me a seu lado e deixei escoar o tempo. Ela disse-me o seu nome, Sophie Minuit. Disse-me que antes de trabalhar ali, tinha sido auxiliar de biblioteca, mas ganhava muito mal. Começou então a libertar-se e a falar mais. O seu livro favorito é a "História de um Coração" e abraçava repetidamente o ar à sua volta. Meu amigo, quase que me apaixonei. Felizmente, os quarenta minutos acabaram e sai daquela alcova mesmo a tempo.
Sinto que o meu termómetro vai ser um tremendo sucesso.
Do sempre seu,
T. Edison
Pedro A. M. Amaral
fazer download da revista aqui.
Etiquetas:
numero 2,
Pedro A. M. Amaral
Monday, May 30, 2011
Et Voilá!
Aqui está o segundo número da revista A SUL DE NENHUM NORTE.
Esperamos que vos agrade.
fazer download aqui.

Esperamos que vos agrade.
fazer download aqui.
Friday, May 20, 2011
a sul
os dias são feitos de noites intermináveis
de canções que se enroscam ruidosamente ao corpo
e eu trago o inverno a respirar-me junto à face
trago as mãos rasgadas
sem bolsos onde se encolherem de frio
é mais do que certo:
se te visse regressar manhã dentro
não sobraria apenas a geometria das árvores em redor do coração
- Ana C. -
de canções que se enroscam ruidosamente ao corpo
e eu trago o inverno a respirar-me junto à face
trago as mãos rasgadas
sem bolsos onde se encolherem de frio
é mais do que certo:
se te visse regressar manhã dentro
não sobraria apenas a geometria das árvores em redor do coração
- Ana C. -
Thursday, May 19, 2011
a sul
Definição de desconhecido
Pessoa que não é membro
de um grupo: um visitante,
convidado, ou o seio
que roça no teu braço
no metro. Pessoa
com quem não tiveste
nenhum contacto mas que tirou
a tua cadeira de baloiço
da berma
e se enrosca nela
e fecha os olhos.
Pessoa agora atrás
de ti na fila, à espera
de um copo de água,
ou de whiskey, de elixir.
Pessoa a ligar-se online
no mesmo segundo
do Home Depot em LIma.
Ou à procura do Dalai Lama.
Pessoa nem cúmplice nem parte
duma decisão, edital, et cetera,
mas que comeu
do mesmo garfo
na pizzaria
e beijou a tua irmã mais tresloucada
no fim de ano. Pessoa designada
para alimentar o tigre no zoo
onde tu uma vez
puseste a tua mão
na palma da mão
do pai de outra pessoa.
- Idra Novey -
Pessoa que não é membro
de um grupo: um visitante,
convidado, ou o seio
que roça no teu braço
no metro. Pessoa
com quem não tiveste
nenhum contacto mas que tirou
a tua cadeira de baloiço
da berma
e se enrosca nela
e fecha os olhos.
Pessoa agora atrás
de ti na fila, à espera
de um copo de água,
ou de whiskey, de elixir.
Pessoa a ligar-se online
no mesmo segundo
do Home Depot em LIma.
Ou à procura do Dalai Lama.
Pessoa nem cúmplice nem parte
duma decisão, edital, et cetera,
mas que comeu
do mesmo garfo
na pizzaria
e beijou a tua irmã mais tresloucada
no fim de ano. Pessoa designada
para alimentar o tigre no zoo
onde tu uma vez
puseste a tua mão
na palma da mão
do pai de outra pessoa.
- Idra Novey -
Wednesday, May 4, 2011
a sul
(...)
Mas há gente que, por ter uma educação mais esmerada ou apenas porque as circunstâncias da vida assim o determinaram, acha que está acima disto. Precisam de algo que lhes titile a sofisticação. Que os faça sentir que pertencem a um grupo. E não a um grupo qualquer, mas a um grupo de gente que, como eles, tenha gosto apurado, tenha opiniões, saiba apreciar as artes e não ignore que sair de casa sem um saco a tiracolo e um livro de Boris Vian no bolso é como estar nu.
Precisam de ser godás.
E o que vem a ser um godá?
É muito simples.
Comecemos pela pronúncia. Lê-se “gódá” e não “gudá” ou “gôdá” ou qualquer outra variante. Vem de Godard, realizador francês que, não sendo ele um godá propriamente dito, é um dos autores que, para qualquer godá que se preze, fica sempre bem citar e dizer que se conhece o seu trabalho e se gosta muito.
O termo é de minha autoria, mas o conceito já existia. A única coisa que faltava era alguém perceber que não é apenas uma particularidade comportamental, mas toda uma filosofia de vida.
(...)
- Renato Carreira -
Mas há gente que, por ter uma educação mais esmerada ou apenas porque as circunstâncias da vida assim o determinaram, acha que está acima disto. Precisam de algo que lhes titile a sofisticação. Que os faça sentir que pertencem a um grupo. E não a um grupo qualquer, mas a um grupo de gente que, como eles, tenha gosto apurado, tenha opiniões, saiba apreciar as artes e não ignore que sair de casa sem um saco a tiracolo e um livro de Boris Vian no bolso é como estar nu.
Precisam de ser godás.
E o que vem a ser um godá?
É muito simples.
Comecemos pela pronúncia. Lê-se “gódá” e não “gudá” ou “gôdá” ou qualquer outra variante. Vem de Godard, realizador francês que, não sendo ele um godá propriamente dito, é um dos autores que, para qualquer godá que se preze, fica sempre bem citar e dizer que se conhece o seu trabalho e se gosta muito.
O termo é de minha autoria, mas o conceito já existia. A única coisa que faltava era alguém perceber que não é apenas uma particularidade comportamental, mas toda uma filosofia de vida.
(...)
- Renato Carreira -
Tuesday, April 26, 2011
A sul
Percorri o bairro, cercado do que imagino como representação da «toute Lisbonne»; é a minha costela Crumb. Não vi, não reconheci, escritores entre a audiência; julgo ter compreendido por que Gonçalo teve de os inventar; vi sobrinhas, tias e finalistas estucadas com botox, possíveis locatárias dos condomínios donde serão despejados o senhor Valéry, o senhor Henri, o senhor Juarroz, o senhor Brecht, o senhor Kraus, o senhor Calvino, o senhor Walser, sem o senhor Swendenborg ter tido tempo para se entregar às «investigações geométricas». Quando bebia absinto, em Coimbra, não me lembro se alguma vez tive o cuidado de «nunca misturar o absinto com a realidade para não piorar a qualidade do absinto»; sinto muito, senhor Henri.
Jorge Fallorca
Jorge Fallorca
Thursday, April 14, 2011
a sul
(da divisão dos despojos)
o que não foi destruído ficou em silêncio
sobre a mesa mas reparem: só o que perece
não dói. a dificuldade é incinerar o que fica
o passado é pouco combustível mas os dedos
como os nós também se cortam. mas como
dividir o saque que é inteiro onde rasgar
em que linha imaginária se ainda hoje
todos os decretos foram decretados nulos.
- Pedro Jordão -
o que não foi destruído ficou em silêncio
sobre a mesa mas reparem: só o que perece
não dói. a dificuldade é incinerar o que fica
o passado é pouco combustível mas os dedos
como os nós também se cortam. mas como
dividir o saque que é inteiro onde rasgar
em que linha imaginária se ainda hoje
todos os decretos foram decretados nulos.
- Pedro Jordão -
Tuesday, April 12, 2011
a sul
(...)
Sim, por muitos e bons anos
Até que a incerteza separe
A cal da parede,
Até que comecem a arder,
Por excesso de exposição,
Os móveis que o sol visita pela janela.
A madeira é duma fragilidade
Metódica e paciente.
São de madeira os punhos
Elevados perante as seduções.
- Rui Almeida -
Sim, por muitos e bons anos
Até que a incerteza separe
A cal da parede,
Até que comecem a arder,
Por excesso de exposição,
Os móveis que o sol visita pela janela.
A madeira é duma fragilidade
Metódica e paciente.
São de madeira os punhos
Elevados perante as seduções.
- Rui Almeida -
Friday, April 8, 2011
a sul
25 Megapixels
Já verifiquei as sombras mais de muitas vezes - a luz está esquiva dentro das nuvens e digo baixinho para a máquina fotográfica encostada à minha barriga: “Sabes, acho que hoje ninguém subirá a encosta até aqui”. Ali ao lado, o Júlio apressa-se a alinhar as fichas vermelhas dentro da caixa enferrujada e espreita a estrada pelo canto do olho. Não quer que os seus homens se apercebam que está preocupado com as nuvens e inventa tarefas para os ocupar: um que abra o motor e verifique o óleo, o outro que percorra as tábuas gastas de madeira à procura de algum prego solto, vamos, vamos. E finge-se atento a esses movimentos, enquanto se encosta à cabeça amarelo-muito-gasto do cavalo de boca aberta.
(...)
- Ângela M. -
Já verifiquei as sombras mais de muitas vezes - a luz está esquiva dentro das nuvens e digo baixinho para a máquina fotográfica encostada à minha barriga: “Sabes, acho que hoje ninguém subirá a encosta até aqui”. Ali ao lado, o Júlio apressa-se a alinhar as fichas vermelhas dentro da caixa enferrujada e espreita a estrada pelo canto do olho. Não quer que os seus homens se apercebam que está preocupado com as nuvens e inventa tarefas para os ocupar: um que abra o motor e verifique o óleo, o outro que percorra as tábuas gastas de madeira à procura de algum prego solto, vamos, vamos. E finge-se atento a esses movimentos, enquanto se encosta à cabeça amarelo-muito-gasto do cavalo de boca aberta.
(...)
- Ângela M. -
1 de cada sul por dia.
Tatiana Pequeno nasceu no Rio de Janeiro, Brasil, em 1979. Publicou, em 2010, seu primeiro livro de poemas, réplica das urtigas. É professora de literaturas brasileira e portuguesa, tendo defendido recentemente tese de doutoramento sobre Maria Gabriela Llansol. Ouve desde sempre muitas canções e muitas reverberações do mundo, por isso costuma comover-se até hoje com a longa introdução de Cortez the killer do Neil Young e as aparentes dissonâncias de toda uma geração que sabia do que o Loveless, do My Bloody Valentine, tratava.
Tiago Gomes nasceu em Lisboa em 1971. É poeta e, em edição de autor, editou dois livros: Caixa Negra de Avião Desviado por Ataque Terrorista e Homem Vago em Cinzento (1995). Seguiram-se Brincadeiras com Cianeto (Edições Mortas, 1998), Viola-me Eléctrica (Fenda, 1998) e Antologia Auto-Ajuda (Ed. Mariposa Azual). Foi radialista na Voxx, comentador no programa de televisão Prazer dos Diabos. É vocalista dos Campos Blue Moves, Inspectores, Agência de Viagens e On The Road. Foi fundador da galeria ZDB. É director, produtor e editor da revista de arte Bíblia, que dirige há 14 anos. Produz os projectos musicais Furacão Sereno, On The Road e Inspectores.
Pedro Santo Tirso, tem 33 anos, idade de Cristo, é lisboeta, gosta do seu nome, que sempre considerou uma boa combinação de sagrado e profano. Talvez por isso tenha dado em professor. Tem mulher e filho que ama. Gosta de beber vinho e de ler.
Wednesday, April 6, 2011
Subscribe to:
Posts (Atom)